Escrever e revisar texto em português do Brasil que soe escrito por um brasileiro, com linha de raciocínio e sem os vícios de IA. Use ao redigir ou revisar artigo, newsletter, post, relatório, ensaio, documentação, e-mail ou copy em pt-BR, em qualquer área; quando o texto tiver cara de tradução do inglês ou de LLM; quando pedirem para "humanizar", "naturalizar" ou "tirar cara de IA" de um texto em português. Levanta briefing de tema, contexto, tom e público antes de escrever, despacha subagentes de pesquisa para enriquecer o conteúdo e cobre travessão, calque, corporativês, ritmo, coesão e construção do argumento.
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Escrita natural em português
Texto de IA em português não é reconhecido pelas palavras. É reconhecido pela
arquitetura. No corpus que originou esta skill, quatro versões do mesmo artigo foram
reescritas cortando "cenário", "robusto" e "emblemático", e o resultado continuou
soando a máquina: entre a primeira e a última versão o texto encolheu 41% e o número
de séries de três subiu de oito para nove. Trocar palavra por sinônimo mais
simples é a parte fácil e resolve pouco.
Por isso esta skill trabalha de fora para dentro: primeiro o briefing, depois a
pesquisa, depois o argumento, o parágrafo, a frase, e só no fim a palavra e a
pontuação.
Os exemplos das referências saem de um artigo técnico de segurança, porque foi o
material disponível para análise forense. Os tiques são de língua, não de área:
valem igual para pauta de saúde, relatório financeiro, post de produto ou crônica.
Duas coisas que a skill não faz
Não inventa fato. Nunca acrescente nome, número, data, citação ou fonte que não
venha do usuário ou de uma fonte verificada. No corpus de origem apareceram uma
ferramenta e uma campanha que não existem em fonte nenhuma, e um número que mudou de
"quatro das dez categorias" para "três das dez" entre dois rascunhos. Número que
troca de valor entre versões é sinal de alucinação. Se falta um dado, pergunte ou
escreva a frase sem ele.
Não muda o que o texto diz. Você pode cortar, fundir, dividir e reordenar. A
informação permanece.
Modo escrever
0. Briefing, antes de qualquer linha
Texto genérico quase sempre nasce de briefing ausente, não de vocabulário ruim. Antes
de escrever, você precisa saber quatro coisas: tema, contexto, tom e público.
Leia references/briefing.md e levante o que faltar. Regras
do levantamento:
- Aproveite o que o usuário já deu. Não pergunte o que está no pedido.
- Pergunte em uma rodada só, com AskUserQuestion, no máximo quatro perguntas, com
opções concretas e um recomendado. Perguntas soltas em sequência cansam e atrasam. - Se o usuário mandar escrever sem responder, assuma o padrão de
references/briefing.md, declare a suposição em uma
linha e siga. - Havendo texto anterior do autor ou da publicação, leia antes de perguntar. Amostra
responde tom melhor que pergunta.
Feche o briefing em um bloco curto de cinco linhas, tema, contexto, público, tom,
formato e extensão, e confirme com o usuário antes de gastar pesquisa em cima dele.
1. A tese, em uma frase
Antes de qualquer parágrafo, escreva a frase que o texto inteiro defende. Se não
sair, você ainda não tem texto, tem tema. Texto que "fala, fala e não chega a lugar
nenhum" quase sempre é isso: tema sem tese.
Teste da negação, de Othon Garcia: escreva a negação da sua tese. Se a negação for
igualmente defensável e você não tiver fato para desempatar, a frase não está
argumentando.
Teste da escada de especificação: se a tese continua verdadeira quando você troca o
assunto por outro qualquer, ela está genérica demais. Desça degrau a degrau até
doer. "A prática dos esportes é prejudicial à saúde" desce até "a prática
indiscriminada de certos esportes violentos é prejudicial à saúde dos jovens
subnutridos".
Gênero sem tese, como documentação e release note, pula este passo e vai direto para
a pergunta que o leitor chegou fazendo.
2. Pesquise antes de escrever, com subagentes
Só os fatos provam. O que o usuário entrega no briefing é o ponto de partida, não o
teto. Despache subagentes de pesquisa em paralelo, cada um com um ângulo
diferente, antes de escrever a primeira frase. Sem isso o texto vira sequência de
afirmações genéricas, que é a origem real da sensação de vazio, muito mais do que o
vocabulário.
O protocolo completo, com os ângulos, o prompt pronto e o formato de retorno, está em
references/pesquisa.md. Em resumo:
- Dispare de dois a quatro subagentes numa mesma mensagem, um por ângulo: fatos e
números; casos concretos e incidentes datados; histórico e contexto de origem;
visão contrária e crítica à tese. - Cada um devolve fato verificável com fonte, ano e link, não resumo de tema.
- Todos recebem ordem de descartar conteúdo que pareça gerado por IA: post de SEO
genérico posterior a 2023, "guia definitivo", listicle. Prioridade para fonte
primária, academia, imprensa e documento oficial. - Todos precisam dizer o que não encontraram. Lacuna declarada vale mais que
lacuna preenchida por invenção. - Se o tema for de língua, estilo ou uso do português, mande priorizar fonte anterior
a 2022.
Depois, escolha. Um número por argumento, e ele tem que fazer trabalho. Sete números
empilhados em quatro frases não provam nada além de "isso é grande". Fato que
contraria a tese entra no texto como concessão, não some.
Pule a pesquisa quando o texto for inteiramente sobre material que o usuário já
forneceu, como reescrever um e-mail ou revisar um relatório interno. Nesse caso, diga
que pulou.
3. Monte a linha de raciocínio antes de redigir
Escreva uma linha por parágrafo dizendo o que aquele parágrafo acrescenta ao
anterior. Se você não conseguir dizer, o parágrafo não existe ainda.
Depois olhe a sequência inteira e marque os parágrafos que só anunciam o que vem, só
reformulam o que já foi dito ou só ecoam o título. No corpus de origem, três dos nove
parágrafos eram isso, e ficavam nas bordas: a abertura anunciava demais e o fecho
reafirmava demais.
Decida também onde vai o argumento mais forte, porque a ordem muda por gênero:
| Gênero | Ordem |
|---|---|
| Notícia, relatório, resumo executivo, e-mail | Mais importante primeiro, pirâmide invertida |
| Ensaio, artigo de opinião, análise, crônica | Mais forte no fim, clímax no fecho |
| Documentação, tutorial, procedimento | Ordem de execução, do pré-requisito ao resultado |
| Post curto de rede social | Primeira linha carrega a tese inteira |
4. Escreva
Vá para references/fluencia.md e escreva seguindo os
princípios de ritmo, coesão e voz, no registro que o briefing fixou. Os quatro que
mais mudam o resultado:
- Abra dentro da cena. Verbo de ação, sem anunciar o assunto. Rubem Braga
começa "O padeiro" com "Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no
fogo". - Cole por retomada, não por conectivo. Antes de escrever "dessa forma", tente
retomar o núcleo do parágrafo anterior por outro nome. Se o texto precisa de cola
para andar, os parágrafos estão na ordem errada. - Case cada abstração com um fato concreto no mesmo parágrafo.
- Feche em imagem ou virada, não em moral. "E assobiava pelas escadas."
5. Revise
Aplique o modo revisar ao que você escreveu. Sempre.
Modo revisar
Três passadas, nesta ordem. A ordem importa: consertar palavra antes de consertar
estrutura é o erro que fez o corpus de origem passar por quatro versões sem melhorar.
Ao revisar texto de terceiro, levante o briefing mesmo assim, ao menos público e tom.
Sem isso você não tem como julgar se o registro está certo, e acaba corrigindo para o
seu gosto em vez de para o leitor dele.
Passada 1: argumento e parágrafo
Consulte references/estruturas.md.
- Mapeie o texto, uma linha por parágrafo, dizendo o que cada um acrescenta.
- Corte todo parágrafo que não acrescenta. Anúncio do que vem, reformulação do
anterior, eco do título. Comece pelas bordas, é onde eles se escondem. - Se o parágrafo pode ser resumido pela primeira frase sem perda, ele não
desenvolveu nada. Acrescente fato, exemplo ou causa, ou corte o parágrafo. - Verifique se o fecho traz alguma coisa nova. Fecho que repete a tese e ecoa o
título é o parágrafo mais dispensável de qualquer texto. - Toda seção precisa de pelo menos uma âncora no mundo real: uma data, um valor, uma
tela, uma fala. - Toda lista: os itens se encadeiam ou é catálogo? Catálogo vira prosa ou vira corte.
Passada 2: frase
Ainda em references/estruturas.md, mais
references/fluencia.md.
- Sujeito. Quem faz a ação? Conceito abstrato praticando verbo humano é o tique
mais grave e o mais difícil de ver. "A conformidade não enxerga" vira "ninguém
perguntou". - Simetria. Conte as séries de três no parágrafo. Mais de uma, quebre. Procure
também anáfora, paralelismo de fragmentos e repetição da mesma palavra na virada. - Aberturas. Leia só a primeira frase de cada parágrafo, em sequência. Se todas
tiverem a mesma forma sintática, varie. O Estadão é explícito: não use
repetidamente a mesma estrutura de frase. - Ritmo. Três períodos curtos seguidos com a mesma estrutura é frase soluçante,
e é o vício da IA. Hierarquize: escolha as duas ou três ideias que sustentam o
parágrafo, deixe em oração principal, rebaixe o resto a subordinada. Cuidado com o
vício oposto, o período centopeia de oitenta palavras. - Punchline. Frase curta de efeito isolada: uma por texto, se tanto.
- Contraste binário. "Não é X, é Y" vira "é Y". A negação prévia é rampa que o
leitor não pediu. - Pergunta retórica respondida pelo próprio autor: conte o que você fez, em vez
de perguntar.
Passada 3: palavra e pontuação
Consulte references/calques.md e
references/pontuacao.md.
- Travessão de ênfase: troque por vírgula, dois-pontos, parênteses ou ponto. Se
algum sobreviver por ser mesmo o melhor recurso, ponha espaço dos dois lados, que
é a forma portuguesa. Traço colado é inglês. - Calque: distinga calque de verdade, que se corrige sempre, de calque de
frequência, estrutura portuguesa legítima que a IA repete demais. "Não apenas X,
mas também Y" uma vez está bem; três vezes é máquina. - Verbo empolado: usar, não utilizar. Ter, não possuir. Fazer, não efetuar.
- Nominalização: "realizar a implementação de" vira "implantar".
- Locução inflada: "no intuito de" vira "para".
- Advérbio em -mente decorativo: corte. Se carrega informação, vire fato.
- Gerundismo: "vou estar enviando" vira "vou enviar".
- Passiva sem agente: ache quem fez.
- Léxico que denuncia LLM: crucial, fundamental, robusto, sólido, holístico,
mergulhar, meticuloso, no cenário atual, em suma, vale ressaltar, é importante
notar que. - Tipografia: título em caixa de sentença, nunca Title Case. Sem vírgula de
série. Pontuação fora das aspas. Decimal com vírgula, milhar com ponto.R$ 180,
nãoR$ 180,00.de 2% a 3%, com o símbolo repetido. - Listas: frase-guia com dois-pontos, item em minúscula, ponto e vírgula no fim,
ponto final no último. E, antes disso, pergunte se a lista precisa existir.
Verificações finais
Leia em voz alta. O melhor teste da tradição brasileira inteira está no Estadão,
§15: nunca escreva o que você não diria. Se você não falaria aquela frase para
uma pessoa na sua frente, reescreva.
Depois, seis perguntas:
| Dimensão | Pergunta |
|---|---|
| Briefing | O texto atende ao público, ao tom e ao objetivo combinados? |
| Tese | Dá para dizer em uma frase o que o texto defende? |
| Progressão | Todo parágrafo acrescenta alguma coisa ao anterior? |
| Prova | Toda afirmação forte tem fato por trás, com fonte que você viu? |
| Sujeito | Quem age nas frases são pessoas, ou conceitos? |
| Mundo | Tem data, número, nome, fala? Ou é resumo de resumo? |
Se qualquer resposta for ruim, volte para a passada 1. Não tente consertar na
passada 3.
Ao entregar, diga em três linhas o que veio da pesquisa e não estava no briefing, e o
que os subagentes não acharam. O usuário precisa saber onde o texto está apoiado.
Preservar a voz
Regras que impedem a skill de estragar texto bom:
- Amostra do autor manda mais que qualquer tabela daqui. Se houver texto
anterior dele, leia primeiro e imite os hábitos: comprimento de frase, escolha de
palavra, abertura de parágrafo, pontuação preferida. - Gíria e regionalismo deliberados ficam. Não formalize coloquial proposital.
- Termo técnico consagrado fica, seja da área que for: API, token, endpoint,
hash, phishing, ebitda, liminar, anamnese, laudo. A tabela de anglicismos vale
para o jargão de escritório, não para o vocabulário da área. Quem decide o que
precisa de explicação é o público que o briefing definiu. - Nome próprio e citação ficam. Não corrija o português de quem você cita.
- "A gente" é permitido em texto de voz pessoal. Rubem Braga usa, Paulo Mendes
Campos usa. Some em texto institucional. - "Você" é o padrão ao falar com o leitor, e não alterne com "o usuário", "o
leitor" ou "tu" no mesmo texto. - A impessoalidade de redação escolar, "observa-se que", "medidas devem ser
tomadas", é padrão a desativar, não marca de qualidade.
Composição com outras skills
- humanizer cobre os tells universais catalogados pela Wikipedia, em inglês.
Rode antes desta se o texto veio traduzido. - stop-slop cobre estrutura em inglês e inspirou o formato desta skill. Há
sobreposição real na passada 2. - copywriting cuida da persuasão. Se a saída final for em português, rode esta
skill depois dela.
Nenhuma das três conhece travessão espaçado, calque do inglês, nominalização
brasileira, alínea da ABNT ou a tradição da crônica. É o que esta cobre.
Referências
- references/briefing.md, as perguntas de tema, contexto,
tom e público, com padrões por gênero e tabela de registro. - references/pesquisa.md, protocolo dos subagentes:
ângulos, prompt pronto, critério de fonte e síntese do dossiê. - references/estruturas.md, treze tiques estruturais com
evidência de corpus real. - references/fluencia.md, ritmo, coesão, argumento e voz,
a partir de Othon Garcia, dos manuais de redação e da crônica. - references/calques.md, catálogo "evite, use" de calque,
anglicismo, corporativês e léxico de LLM. - references/pontuacao.md, travessão, vírgula, aspas,
números, títulos e listas à brasileira. - references/exemplos.md, as três passadas aplicadas de
ponta a ponta num artigo real, com o antes e o depois de cada uma.